Comércio Bilateral entre a China e o Brasil
Nos últimos anos, o Brasil sempre tem sido o maior parceiro comercial da China na América Latina, e a China o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia. Segundo as estatísticas da alfândega chinesa, no ano de 1974 em que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, o valor total do comércio foi de US$17.420 milhões, até 1979, esta cifra aumentou para US$216 milhões, sendo 12 vezes do valor do ano de 1974. Durante a década de 80, o valor total do comércio bilateral chegou em média aos US$755 milhões por ano, e na década de 90, aumentou para US$1.494 bilhões. No último ano do século 20, o valor total do comércio bilateral alcançou US$2.845 bilhões, e no ano de 2001, o volume comercial aumentou 30% em comparação com o ano de 2000, atingiu US$3.698 bilhões, sendo 211 vezes maior do que o do ano de 1974. No ano de 2001, a China importou US$2.347 bilhões e exportou US$1.351 bilhões, com o déficit de US$996 milhões.
No ano de 2002, o valor total do comércio bilateral atingiu US$4.469 bilhões, ultrapassou pela primeira vez a 4 bilhões, batendo o recorde na história do intercâmbio bilateral. A China importou US$3.030 bilhões e exportou US$1.466 bilhões, aumentou de 27,9% e 8,5% respectivamente em comparação com o ano de 2001, com o déficit de US$1.537 milhões.
Segundo as estatísticas da alfândega brasileira, o valor total do comércio bilateral no ano de 2002 foi de US$4.074 bilhões, com aumento de 26,15% do que o ano de 2001. Entre eles, o Brasil exportou de USD$ 2.520 bilhões, com o aumento de 32,52% em comparação com o ano de 2001, e importou de USD$ 1.554 bilhões, com o aumento de 16,99%. Ambos os governos tratam a outra parte como um dos mercados mais importantes para realizar a diversificação do mercado.
Cooperação Econômica entre a China e o Brasil
A cooperação econômica bilateral e os investimentos mútuos têm aumentado ano a ano. Da década de 80, no início da reforma e abertura da China para cá, mais de 50 empresas chinesas instalaram órgãos comerciais em São Paulo e Rio de Janeiro, o Bank of China (Banco da China) e a Empresa de Transporte de Oceano da China (COSCO) têm representações e filiações no Brasil; isso promoveu fortemente o desenvolvimento do comércio bilateral. Com o desenvolvimento sustentável da economia da China, as empresas poderosas em áreas de processamento de madeira, eletrodoméstica, exploração de minerais e telecomunicações da China têm investido com recurso e tecnologia no Brasil, contribuindo para o desenvolvimento econômico, o avanço da tecnologia e o aumento de empregos no Brasil. As empresas mais famosas do Brasil como a Vale do Rio Doce, Marcopolo, fábricas de compressores de freezer EMBRACO e Embraer mantêm uma relação cooperativa muito boa com a China. Nós acreditamos que, com o desenvolvimento das relações de cooperação amistosa entre a China e o Brasil e o aprofundamento do conhecimento entre as empresas dos dois países, as relações de cooperação econômica e comercial bilaterais terão um futuro ainda mais próspero.
Budismo na China - Por Guilherme Korte
Uma comissão de líderes religiosos chineses embarcou dia 21 de agosto de 2003 para os Estados Unidos a fim de participar do Encontro Mundial dos Líderes Religiosos para a Paz no milênio, a ser realizado na sede da ONU, em Nova York, entre os dias 28 e 31. Na China existem 56 grupos étnicos, cada um com sua própria cultura e religião, mas entre todas as religiões, o budismo é a que mais tem adeptos. É muito difícil avaliar o número de praticantes do budismo na China, pois estão espalhados por todo o país, e não existe um ritual de iniciação com contagem de novos adeptos. O budismo chinês tem pelo menos 40 mil monges e monjas e mais de 5 mil templos e monastérios. O budismo tibetano é praticado pela maioria das 7 milhões de pessoas das etnias Mongol, Tu, Naxi, Pumi e Moinba, e com 120 mil monges em 3 mil templos e monastérios. O budismo Pali é se professa principalmente pelos grupos étnicos Dai, Bulang, Deang, Va e Acheng. Conta com mais de 8 mil monges em mil templos. A tradição se iniciou durante o reinado do Imperador Ming da dinastia Han do leste (25-220 d.C.) que encomendou a Cai Yin e mais 17 dirigentes e intelectuais a irem a diversos países a oeste da China em busca de informações sobre o Budismo. Encontram-se com Kasyapamatanga e Dharmaranya, duas grandes expressões do budismo na Índia, à época, convidando-os para uma visita à capital Luoyang, da época. Os dois líderes espirituais trouxeram em lombo de cavalos brancos, imagens e sutras budistas. O Imperador Ming ordenou a construção de uma residência para eles em Luoyang, transformando-se no primeiro templo budista da China, o monastério Baima (Cavalo Branco em chinês). Foram os primeiros 42 sutras do budismo hindu traduzidos. Mais tarde, o budismo foi amplamente divulgado na China durante os reinados Han do leste dos Imperadores Huan Di e Ling Di (147 - 189 d.C.). Quando Sakyamuni fundou o budismo na antiga Índia, diferentes formas de pregação se adaptaram aos diferentes públicos. Depois da morte de Sakyamuni, seus seguidores estabeleceram várias seitas conforme seus próprios entendimentos. Entre estas seitas, as de Mahayana e Theravanda são as maiores. O budismo Theravanda prega a superação da ilusão e a despreocupação pela morte, de modo que o indivíduo possa converter-se em um Avatara, um santo iluminado. O budismo Mahayana enfatiza a salvação não só de si mesmo, mas também de outros seres vivos. Mahayana tem duas formas: tantrismo e a escola aberta, que foi anteriormente dividida nas escolas Madhyamika e Yogacara. Durante os anos entre as dinastias Han do Leste e Song, 130 estudiosos chineses e estrangeiros traduziram escrituras budistas para o chinês. De todos os tradutores na história do budismo chinês, o monge Xuan Zang da dinastia Tang foi considerado o melhor. Viajou quase 25 mil quilômetros em 17 anos, trazendo da Índia 520 escrituras budistas em sanscrito e dedicou 20 anos para sua tradução ao chinês de 1335 textos em 75 capítulos das escrituras do budismo Mahayana. Os monastérios e pagodes budistas encontram-se em todas as regiões da China, e muitos dos quais são mundialmente famosos por sua arte budista, e as construções budistas são consideradas como jóias da antiga arte chinesa. A Associação Budista da China, estabelecida em 1953, é uma organização nacional, com 14 filiadas, e seu próprio jornal, o Fayin.
A Idade de Bronze na China
Na China, a civilização da Idade do Bronze iniciou - se antes de 2100 a.C. Em 1800 a.C., a indústria de fundição de bronze da dinastia Shang produziu diferentes vasilhas com diversas formas, assim como armas bélicas. Os artesãos utilizavam moldes de argila para fabricar todo tipo de utensílios em bronze. Da mesma forma, usavam destramente moldes internos e externos para fazer vasilhas de pouca espessura, incluindo as de bronze. As peças produzidas nesse material durante essa época eram em sua maioria vasilhas para vinho e algumas também para alimentos.
A corte imperial da dinastia Xia pôs mais atenção nas funções que as vasilhas de bronze para vinho tinham nos costumes e cerimônias rituais. Até o século XVI a.C., durante a dinastia Shang (a.c.1600-1100a.c.), consideravam-se o vinho e seu aroma um meio para transmitir a Deus e aos antepassados os desejos das pessoas, bem como de trazer mais alegria e felicidade à vida. Foi por isso que as de vinho e outras vasilhas rituais desenvolveram-se muito nessa época. As de bronze simbolizavam a posição social e a hierarquia dos nobres, e, devido a esse sistema de classes sociais, a fabricação de bronze promoveu-se em grande medida.
Num lapso de aproximadamente 700 anos, da dinastia Shang a meados da dinastia Zhou do Oeste, ou seja, entre os séculos XVI e IX a.C., as vasilhas de bronze desenvolveram-se continuamente, o que constitui um fenômeno muito especial da civilização antiga.
Pela diversidade de suas formas e a riqueza de seus motivos artísticos, as vasilhas de bronze chinesas da Antigüidade são fabulosas obras de arte em metal. As decorações principais das peças de bronze da dinastia Shang são máscaras de animais e motivos de aves, entre elas, a fênix. Ainda que as peças do período inicial da dinastia Zhou do Oeste (1100 - 771a.C.) não se apegassem às convenções das peças da dinastia Shang, nessa época também produziram-se vasilhas com o motivo da fênix. O magnifico estilo desse motivo, misterioso e solene, com olhos protuberantes, enormes chifres e bico ferozmente aberto sugerem uma encarnação sobre natural e forças selvagens. Essas motivas misteriosas e ilusórias apresentadas em sua maior partes numa estrutura equilibradas são as imagens de deidades da Natureza. Nas dinastias Shang e Zhou as pessoas adoravam Deus e todas as deidades subordinadas a ele, as "Cem Deidades". Quer dizer, havia vários tipos delas; por exemplo, o dragão era considerado a Deidade da Água, a fênix, a do vento, e o motivo circular, o Fogo Sagrado. Também havia outras deidades monstruosas das montanhas e dos rios. Algumas das características dos motivos das peças de bronze são desconhecidas devido ao fato de já Ter passado um tempo demasiado longo. Os motivos e o estilo artístico único das peças de bronze da dinastia Shang são esplêndidas representações do poder da Natureza nas condições sociais da época.
Durante mais de cem anos, entre o fim da dinastia Zhou do Oeste e a fase inicial do período da Primavera e Outono (770 - 476 a.C.), o sistema ritual e os motivos artísticos das peças de bronze sofreram de ser os motivos principais, enquanto os motivos deformes e abstratos adquiriram popularidade. No século VI a.C., simultaneamente ao grande desenvolvimento da economia social, a indústria do bronze voltou ao primeiro plano. Além de diversos motivos deformes de desenhos refinados e esplêndidos, surgiram motivos de dragões entrelaçados, que se converteram no principal desenho decorativo das peças de bronze. Sendo uma criatura imaginária, o dragão foi representado com distintas formas e diferente motivo delicado e diminuto. As figuras em relevo de algumas vasilhas de bronze ficaram ainda mais vividas.
Relações Culturais Sino - Brasileiras
A China e o Brasil estabeleceram relações diplomáticas no dia 15 de agosto de 1974. Em novembro de 1978, depois das visitas de Grupo de Arte chinês e Circo de Chongqing nos anos 50, o Circo de Wuhan, com 50 membros, visitou o Brasil. Essa visita recuperou os contatos dos grupos artísticos bilaterais que foram interrompidos há 20 anos. E depois se aumentavam cada vez mais intercâmbios culturais entre os dois países. No Sul da América, o Brasil é um dos países que têm mais intercâmbios culturais com a China.
Em novembro de 1985, o nosso Embaixador do Brasil Tao Dazhao e o Ministro das Relações Exteriores Setúbal assinaram em Brasília o Acordo de cooperação educacional e cultural; em abril de 1991, o governo da China e o do Brasil participaram na primeira Reunião da Comissão - Mista Cultural sino-brasileira e assinaram o Programa - Executivo do Acordo de Cooperação Educacional e Cultural para Os Anos de 1991 a 1992. Em 1993, convocou - se a Segunda Reunião da Comissão - Mista Cultural sino-brasileira e assinou-se o Programa - Executivo do Acordo de Cooperação Educacional e Cultural para Os Anos de 1993 a 1995 na China. Em dezembro de 1996, organizou-se a Terceira Reunião da Comissão - Mista Cultural sino-brasileira e assinou-se o Programa - Executivo do Acordo de Cooperação Educacional e Cultural para Os Anos de 1996 a 1998 no Brasil. Em 2000, organizou-se a quarta Reunião da Comissão - Mista Cultural sino-brasileira e assinou-se o Programa-Executivo do Acordo de Cooperação Cultural para Os Anos de 2001 a 2004 no Brasil. Seguindo os acordos de cooperações e dos programas executivos, os intercâmbios e cooperações bilaterais estão num caminho de desenvolvimento contínuo, regular e equilibrado.
As Relações bilaterais econômico-comerciais e cooperações econômico-científicas
Ao longo dos 28 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e o Brasil, as relações bilaterais econômico-comerciais desenvolvem-se de passos estáveis. O Brasil tem sido o maior parceiro comercial da China na América Latina e a China já se tornou um dos cinco maiores mercados de destino para as exportações do Brasil. Em 2001, o valor total do comércio sino-brasileiro alcançou US$3.698 bilhões, batendo o recorde histórico. Com isso, a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil na Ásia. Os principais produtos que a China exporta para o Brasil são: produtos têxteis, vestuário, equipamentos de automação, coque, calçado, brinquedos, produtos plásticos e eletrodomésticos, etc. A China importa do Brasil soja, óleo vegetal, minério férreo, pasta de papel, couro, aço e plástico, etc. Além dos produtos tradicionais, os produtos de alto valor agregado e de alta tecnologia dos dois países também entraram reciprocamente nos dois mercados.
Até agora, a Comissão Mista de Economia e Comércio de dois países já realizou 9 reuniões.
Desde o ano de 1984, a cooperação bilateral na área econômica e tecnológica tem-se progredido rapidamente. Até junho de 2001, a China já estabeleceu 55 companhias e empresas no Brasil e a grande maioria delas são companhias comerciais. O valor de investimento em contrato chega a ser US$94.85 milhões e o valor realizado são US$82.18 milhões. Os investimentos chineses no Brasil distribuem-se nos campos de eletrodomésticos, telecomunicações, montagem de microscópio, processamento de madeira, transporte, serviço médico e saúde e restaurantes, etc. Na China, são na totalidade 214 projetos de investimento e cooperação das empresas brasileiras e o seu investimento direto já atingiu US$62,44 milhões. Os principais projetos são de serviço de consultas sobre central hidroelétrico, de vias férreas em Xinjiang e de churrascaria brasileira, entre os outros. Várias empresas brasileiras também estabeleceram sucursais na China.
A Cooperação e o intercâmbio na área da ciência e tecnologia e cultura-educação
A cooperação científica-tecnológica entre a China e o Brasil já desfruta êxitos significativos. Desde a assinatura do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica no ano 1982, o intercâmbio e a cooperação na área da ciência e tecnologia entre os dois países vêm-se ampliando e aprofundando a cada dia. As duas partes já assinaram acordos de cooperação nos campos de agro-pecuária, piscicultura, silvicultura, hidroelétrica, aeronáutica e aeroespacial, informação elétrica, medicamento e saúde, novos materiais avançados, engenharia biológica e uso pacífico da energia nuclear. Até agora, os dois países realizaram 5 reuniões da Comissão Mista da Ciência e Tecnologia. O primeiro Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-1), desenvolvido e fabricado conjuntamente pelos dois países, foi lançado com pleno sucesso em outubro de 1999. Em 2000, os governos da China e do Brasil assinaram o Protocolo de Cooperação na Tecnologia Espacial sobre o desenvolvimento e fabricação do terceiro e quarto satélites.
O intercâmbio e a cooperação bilaterais nas áreas de cultura e educação têm-se aumentado constantemente. As delegações de arte, acrobacia e exposições do patrimônio cultural da China realizaram visitas ao Brasil e muitos grupos artísticos brasileiros visitaram a China. Os ministros da cultura dos dois países deram visitas recíprocas em 1999 e 2000. A Comissão Mista de Cultura já realizou 4 reuniões até agora. Em 2001, a China e o Brasil organizaram respectivamente no outro país festival de arte e ambos foram bem-sucedidos. Os dois países assinaram Memorandum de Intercâmbio e Cooperação na Educação e realizaram cooperação nas áreas de intercâmbio do pessoal, ensino de língua e cultura e intercâmbio de informação e materiais de ensino, entre as outras.